Dia do Abraço: “O que tiramos de grandes tragédias?”

Em 22 de maio, comemora-se o Dia do Abraço. Esse gesto, às vezes, tão mecânico ou formal, pode ganhar profundos significados conforme o sentimento envolvido. Giovanna Capato Corte Real perdeu, num intervalo de poucos dias, pessoas muito próximas, devido à covid-19. Ela dá um forte testemunho e um conselho que precisa ser ouvido com atenção. Veja a seguir: “Eu me chamo Giovanna, tenho 40 anos e venho falar sobre um assunto ainda muito delicado para mim. Nossa pauta de hoje é o ‘Dia do Abraço’, ou melhor, no meu caso, a falta de alguns desses abraços. Em 2020, no pico da pandemia, o pior ano da minha vida, perdi alguns desses abraços. A covid levou do meu convívio pessoas muito próximas, todos em um intervalo de 12 dias. Foram eles: meu pai, meu avô, minha avó, minha tia e uma prima que se encontrava grávida; perdemos o bebê também. O meu mundo acabou! Eu ainda me encontro em reconstrução, pois foi um baque muito grande e de difícil aceitação. A saudade é muito grande, já que eu tinha convívio diário com essas pessoas. No entanto, o abraço fora reprimido bem antes da partida deles, por conta do isolamento que já acontecia naquele momento. Um abraço que não será substituído! Não houve tempo de viver novos tempos! O que tiramos de grandes tragédias? Na grande maioria, renascemos, a fé fortifica, e o tempo faz com que, de alguma maneira, aceitemos os desígnios de Deus. Amadurecemos. Com isso, passamos a valorizar coisas que antes nos passavam despercebidas, reavaliamos a existência. E a ideia, já que estamos falando de abraço, não é substituir e sim suprir com outros tão importantes abraços. Portanto, hoje, no Dia do Abraço, aconselho: ABRACE!”
Festas e pandemia

Mais um ano de pandemia e, quando se pensava que, após dois anos de guerra contra a covid-19, estaríamos de volta ao normal, ainda precisamos evitar as aglomerações e manter os cuidados sanitários. Em fevereiro de 2020, mesmo a Organização Mundial de Saúde (OMS) tendo alertado as autoridades brasileiras a respeito do novo coronavírus, os eventos carnavalescos e festas em geral “correram soltos” pelo País. Como consequência, a pandemia instalou-se no território nacional, provocando muitas internações. As unidades de terapia intensiva e os hospitais, que não estavam preparados para receber tantos pacientes, entraram em colapso. De norte a sul do País, vimos a triste notícia da falta de materiais hospitalares, como tubos de oxigênio e equipamentos de proteção. Tanto os profissionais da saúde deram a vida, pois foram contaminados, deixando suas famílias desoladas, quanto os idosos e os jovens de serviços essenciais. Embora a vacinação tenha começado com certo atraso no Brasil, por causa da insana conjuntura política nacional, a pandemia parecia estar acabando. Mas as festas de fim de ano novamente causaram o aumento dos casos de internação e mortes, ceifando a vida de 650 mil brasileiros. E como ficam as festas? Festa sempre foi um momento de ação de graças, de gratidão e bênção. Marca um momento ritual para um povo. No caso do carnaval, festa da carne, seria a passagem de dias comuns para o período da Quaresma, que propõe o recolhimento e o jejum, em preparação para a Páscoa. O sentido religioso da maioria das festas, como a do carnaval, foi invertido pela lógica capitalista. Por esta, o evento festivo, em vez de ser de partilha, comemoração, um ritual fraterno, passou a dar valor ao consumismo exacerbado. A economia tomou conta. A festa, em seu sentido original, celebra a vida, mas, no contexto de hoje, não há o que festejar em plena pandemia. Como pular, brincar com tantas famílias enlutadas e sofrendo com entes queridos entubados, com tantos órfãos e viúvas(os)? O fato de aglomerar pessoas já deve servir de alerta, pois, com tantos indivíduos ainda não vacinados, principalmente crianças, o bom senso clama por prudência, moderação, recolhimento. Festa significa cantar, dançar, alegrar-se, celebrar a vida. Porém, na pandemia, fazer isso é gerar morte, e morte prematura. Pensemos em cuidar da vida, continuando a tomar todos os cuidados necessários, mantendo o uso de máscara, a higienização das mãos, evitando aglomerações. Aos poucos, voltaremos à vida coletiva. Agora, cuidemos da saúde de cada um para que, juntos, celebremos a vida em festa. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão da ALESC de Prevenção e combate à tortura, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis, membro da diretoria da Aproffib (Associação de Professores de Filosofia e de Filósofos do Brasil).
Nossa Senhora Aparecida, nos dê a mão!

O mês de outubro está chegando e com ele todas as comemorações a Nossa Senhora Aparecida, a grande padroeira de nosso Brasil. Querida Mãe, no fim de 2020, logo após eu e meu marido termos acompanhado pela TV Aparecida uma bela e santa novena, fui contaminada pelo vírus. Somente minha fé e as bençãos de Maria me proporcionaram forças para suportar o contágio da covid-19. Foram onze dias de muito sofrimento e risco na UTI, com respiração artificial, sem intubação, pois meus pulmões estavam com setenta por cento de comprometimento. A cada momento difícil, eu recorria aos meios de comunicação que estavam a meu dispor, como canais católicos, Youtube e Facebook. Sentia como uma brisa passando, visitando-me, encorajando-me… Só pode ter sido a Virgem Maria me falando à consciência: TUDO VAI PASSAR. Era o poder de uma missa, um terço ou uma oração que me faziam companhia naquele lugar, onde me faltavam o ar, o sono e também o apetite, mas não a fé e a certeza da presença de Deus com sua Mãe Maria. Durante a pandemia, em todos os cantos e recantos do mundo, os católicos mantiveram sua fé, com o auxílio dos projetos missionários das tevês católicas e de todas as redes sociais. Assim transformaram cada lar numa igreja doméstica, pois a frequência nas igrejas foi impedida. Relembrando: foi assim que o cristianismo começou. Não havia grandes templos nem grandes santuários. Os cristãos se reuniam em casa e em família. Sabemos e reconhecemos que o papel de Maria para com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo, tendo a origem nas entranhas de Nossa Mãe, a Virgem Maria. A vida de Maria teve uma relação permanente com seu filho Jesus, desde sua concepção virginal até a hora da morte de Cristo. Maria, a bem-aventurada Virgem, avançou em sua peregrinação de fé e manteve sua união com o Filho até a Cruz, onde ficou com seu unigênito e associou seu sacrifício até a morte de Cruz. No fim, antes de ser morto na Cruz, foi dada como mãe ao Discípulo Amado, com estas palavras: “Mulher, eis aí teu filho”, e para nós foi dito: “Eis aí tua mãe!” (João 19,25-27). Grande presente para a humanidade! A fé em Nossa Senhora Aparecida também nasceu com a devoção familiar. Os pescadores encontraram a imagem de Aparecida e a levaram para casa, surgindo aí a primeira igreja. Hoje temos o grande Santuário Nacional, onde se reúne o maior número de devotos brasileiros e estrangeiros. Cada devoto o visita para seu encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, pela mediação materna de Nossa Senhora. A Mãe de Jesus, por meio de cada celebração, convoca, convida, toca no coração de seus fiéis o amor, a esperança e a fé para perseverar no amor real a seu filho Jesus, expressando sua gratidão por gestos concretos com o próximo, principalmente com todos os menos favorecidos. Sabemos que a fé cristã nos ilumina e leva a compadecer-nos com os sofredores, compartilhar, sermos fraternos e solidários, mostrar interesse através do apoio, do amor, principalmente, da generosidade. Minorar, com gestos concretos, as dores do próximo sofrido, desempregado, para além das palavras de conforto. Interessar-se pelas ações e inciativas comunitárias. Lembrar-se sempre de todo o sofrimento humano. Assim, recebe sua redenção, seu valor e seu sentido transformador a partir da Cruz de Jesus. Bendita a fé que dá asas ao discípulo-missionário de Jesus quando lhe falta o chão. Que Maria, Mãe do Belo Amor, seja sempre bendita. Tenho certeza de que, para todos nós, sobram motivos para amar Nossa Senhora. Desde a mais remota memória da tradição cristã, os fiéis sempre olharam para Ela com carinho, com afeto, com devoção, por vários motivos: porque é discípula da Palavra, porque protegeu e amou Jesus, porque é a vocacionada do Pai e porque Ela é missionária, a primeira missionária, nosso modelo. A razão principal de nossa devoção a Maria esteja de fato ligada à sua maternidade divina. Ela é a mãe de Deus e nossa mãe. No coração de todos os cristãos vibra esta esperança, de que Deus nasceu de uma mulher. Maria, Mãe de Deus, significa o amor de quem nos criou, de quem nos acolhe, de quem nos estende a mão nos momentos de aflição. Podemos aí estender nossas mãos, pedindo à Mãe Aparecida intercessão a seu Filho Jesus. Maria estará sempre disponível com seu “sim”, como foi seu “sim” para o anjo Gabriel. Nós também somos chamados a dizer “sim” a Deus. O anjo Gabriel apresentou-se a Maria com um convite desafiante. E a resposta de Nossa Senhora foi “Faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lucas 1,38). Jesus, quando veio a este mundo quis nascer de uma mulher. Todos os mistérios da vida de Jesus derivam exatamente da Encarnação. Jesus é verdadeiramente humano e verdadeiramente divino. A ressurreição de Cristo realmente é o núcleo. Crer na ressurreição de Jesus é crer na verdade fundamental de nossa fé. Que Nossa Senhora nos dê a mão e nos ajude a dizer “sim” a Deus e ao próximo todos os dias de nossas vidas. E que possamos cantar: “Nossa Senhora, me dê a mão,Cuida do meu coração,Da minha vida, do meu destino,Do meu caminho,Cuida de mim!”(Roberto Carlos, Nossa Senhora) ReferênciasCatecismo da Igreja Católica, cap. 3, art. 9, § 6, Maria – Mãe de Cristo, Mãe da Igreja.Disponível em: vatican.va/archive – Acesso em: 25 ago. 2021. Portal A12.Disponível em: a12.com – Acesso em: 25 ago. 2021. Revista Aparecida, a. 19, n. 233, out. 2020.Disponível em: mflip.com.br – Acesso em: 25 ago. 2021. Rosiná Lopes BressanCoordenadora do Grupo de Missionários Leigos de Deus Uno e Trino (MLDUT) do Rio de Janeiro.
Quando Deus fala… Onde encontrar os ecos de sua voz?

Nós, cristãos, estamos habituados a refletir sobre o Evangelho e nos referir a ele como Palavra de Deus. O Evangelho é um dos meios privilegiados que temos para discernir sua vontade. Contudo é comum também se dizer que Deus fala pelos “sinais dos tempos”. Em outras palavras, nos acontecimentos do cotidiano. Aqui quero explorar esses “sinais”, tentando vislumbrar “falas” de Deus para nós hoje. No momento, uma questão que se sobressai é a pandemia. Olhando para ela e tudo o que ela tem provocado, podemos acreditar que, por ela, Deus possa estar nos falando. Cabe a nós discernir. Arrisco-me a fazer algumas considerações nessa perspectiva, sem a pretensão de ser porta-voz de Deus, mas apenas apontar para possíveis dicas que Ele esteja dando para nosso mundo. Começo a investigação levantando algumas questões. O fenômeno da pandemia é um fato universal, isto é, atingiu todos os países. O vírus tem uma força tal que todas as bombas atômicas guardadas para guerra e destruição não conseguiriam destruí-lo. A covid-19 não respeita posição social, raça, cor nem idade, embora tenha começado atingindo os mais “velhos”, poupando, no início, as crianças. O vírus tem um poder avassalador. Está mudando, à força, as relações do convívio entre as pessoas, levando à mudança de hábitos no cotidiano. Multiplica-se em novas cepas, pondo em risco a eficiência das vacinas. Está perdurando por um tempo maior do que se conhecia para uma pandemia. Não temos certeza de quando vai acabar. Termina uma onda, surge outra mais forte. Tem afetado não somente a parte econômica em todos os níveis, como também causado sofrimento grande de toda ordem, a começar pelos familiares de acometidos pelo vírus e, de modo especial, para aqueles enlutados. Não permite nem mesmo uma digna despedida dos entes queridos. Tudo tem de ser às pressas, pois há a ameaça do contágio. Impôs um distanciamento entre as pessoas, não permitindo o contato afetivo antes praticado. Abalou o lado psicológico de todos, deixando lastros de insegurança e inquietações, resumidas nas perguntas até quando vai isso? E como será depois? Obrigou-nos a encontrar formas novas de comunicação, de reuniões e de estudos, mesmo que forçadamente. Isso podemos contabilizar como um aprendizado positivo. Nessa perspectiva, poderíamos concordar que há males que vêm para o bem! Depois da pandemia, não seremos mais os mesmos. Com será o novo “normal” ainda não sabemos bem, pois estamos em plena crise. Diante de tudo isso, onde estão as “falas de Deus”? Vamos tentar discernir alguns sinais pictogramáticos escondidos nessas situações ambíguas acima enumeradas. Em primeiro lugar, devo dizer que a pandemia não é obra (iniciativa) de Deus. Alguns poderiam pensar que Ele estivesse enviando a pandemia para nos castigar. O Deus que creio não faria isso, podemos, sim, admitir que Ele possa estar se servindo dela para nos dar um recado. E qual recado? Um deles certamente é um apelo para voltar a sermos mais humanos, mais próximos de seu projeto inicial. O caminho que estávamos (estamos) seguindo, cada vez mais, tornava-nos (ou ainda torna) “máquinas de produção” para gerar lucros. Isso, além de nos estressar ao extremo, vinha (vem) gerando cada vez mais um distanciando entre o “muito para poucos” e as “sobras” para muitos”. Uma divisão injusta e contrária aos desígnios de Deus quando nos deu sua criação para desfrutarmos dela com equidade e sem destruí-la. Deturpamos em demasia os preceitos básicos que indicavam o caminho apontado por Ele em sua Palavra, rumo à felicidade oferecida por Ele e não a de meros momentos “lúdicos e prazerosos”, como muitos definem a felicidade. A maldade, o ódio ultrapassaram os limites da normalidade, afetando as cotas que o coração pode suportar. O descarte de pessoas como coisas inúteis porque não são mais lucrativas. Nossa “torre de Babel”, cada vez mais confusa na construção de vínculos que nos aproximem do projeto de Deus, para nós ligados às verdadeiras origens (somos imagem e semelhança de Deus), apesar dos meios eficientes da era digital que já dominamos. A medida da verdade relativista, feita pelo subjetivismo de cada um, vem negando o espaço para uma verdade objetiva como referência para os julgamentos. Em meio a tudo isso, há os sinais positivos indicando caminhos que nos aproximam do projeto divino, como aqueles demonstrados em tantos gestos de solidariedade e de busca de novos medicamentos para a cura dos doentes, como também na dedicação daqueles que se empenham para salvar vidas e de tantas mudanças havidas na vida de pessoas que se tornaram melhores. Essa realidade ambígua que nos move, pra lá e pra cá, parece nos indicar o que o profeta dizia: “Buscai os caminhos do Senhor enquanto Ele se deixa encontrar” (Isaías 55,6). Discernir as “falas” de Deus nesse meio todo é tarefa para quem crê e desafio também para quem não crê. Continuar vivendo com esperança, sem esmorecer, mesmo que nem tudo esteja claro. De uma coisa estou certo: Deus está no meio de nós e não está indiferente, e nem nos deixando à própria sorte. O Deus que confesso e creio é Senhor do Universo que nasceu de suas mãos e nunca o abandonou. Nosso grito por socorro ecoa em seus ouvidos, e seus ecos de retorno estão, neste tempo de pandemia, ressoando neste meio confuso em que estamos vivendo. É aí que estão as oportunidades de encontrá-lo em nosso hoje. Os sinais que Ele nos dá nem sempre são observáveis com nitidez, talvez estejam nas perguntas novas que nascem em nosso espírito. Fazer-se perguntas novas sobre a situação que estamos vivendo faz parte do discernimento para descobrir as suas “falas”. Então, qual a pergunta nova que a situação suscita em mim, em você? Discernir é ir além daquilo que já sabemos. O eco da fala de Deus pode estar sinalizado pelos questionamentos novos que nos fazemos diante dos sinais que estão presente em nosso mundo de hoje. Atentos a isso, saiamos um pouco de nossos lamentos e procuremos nos meandros de nossa realidade um tanto confusa os ecos da voz de Deus falando para
Vacinação: sinal de esperança

Uma simples palavra que atualmente tem um grande significado: esperança! O mundo clama por vacinas para que se estabeleça novamente uma vida normal. A ciência corre contra o tempo para que vacinas eficazes sejam desenvolvidas. Governos do mundo todo se mobilizam para que suas populações sejam vacinadas. Está claro que a solução para o caos estabelecido por uma pandemia mundial está na vacinação, mas, afinal, o que é uma vacina e quando surgiu? Em 1796, o médico inglês Edward Jenner, em meio a uma pandemia de varíola, observou que pessoas que já tinham sido contaminadas por uma doença chamada cowpox (varíola bovina), comum em vacas e muito semelhante à varíola nos humanos, tornavam-se imunes àquela doença. O dr. Edward extraiu o pus da mão de um ordenhador de vacas que havia contraído a cowpox e inoculou a substância em um menino saudável, James Phipps, de 8 anos. O menino contraiu a doença de forma branda e, em seguida, ficou curado. Naquele mesmo ano, ele extraiu o líquido de uma pústula humana contaminada por varíola e inoculou no menino James. Desta vez, o menino não contraiu a doença. Foi descoberta e comprovada a eficácia da primeira vacina. A palavra vacina tem origem no latim e significa “de vaca”, justamente pelo fato de que as primeiras observações e experimentos ocorreram com uma forma de varíola animal, ocorrida em vacas. Como funciona uma vacina? A vacina pode ser considerada uma forma de imunização ativa, ou seja, quando o próprio corpo produz os anticorpos que combaterão uma infecção. Baseia-se na introdução, no corpo de uma pessoa, do agente causador da doença (geralmente um vírus atenuado ou inativado) ou substâncias que esses agentes produzem, de modo a estimular a produção de anticorpos e células de memória pelo sistema imunológico. As vacinas são essenciais para “blindar” o organismo contra doenças que ameaçam a saúde, em todas as idades. Doenças altamente contagiosas, como a difteria, o tétano, a paralisia infantil, o sarampo, a caxumba e a rubéola, muito comuns no passado, e a covid-19 (doença recente), podem ser prevenidas por meio da vacinação. Quando começou a vacinação? A vacinação no Brasil teve início no Rio de Janeiro, em 1904, de maneira trágica. O médico sanitarista Oswaldo Cruz tornou obrigatória a vacinação para prevenir a varíola. Porém, a população, por falta de informações, protestou contra a obrigatoriedade do procedimento, desencadeando aquele que é conhecido com o maior motim da cidade, com um saldo de 30 mortos, 115 feridos e centenas de presos. Em 1973, o Brasil criou o Programa Nacional de Imunização (PNI). O País conseguiu, pela vacinação em massa, erradicar doenças como a varíola e a poliomielite. Atualmente, o PNI é o maior programa de vacinação pública do mundo, com 17 vacinas que protegem contra 20 doenças diferentes. O cenário atual é preocupante, pois, além dos problemas decorrentes da falta de vacinas para a prevenção da covid-19, também existe um movimento antivacinas que têm ganhado força devido à automedicação, estimulada principalmente pela internet, e pela circulação, nas redes sociais, de informações falsas sobre as vacinas. O resultado desses movimentos é uma queda expressiva da cobertura vacinal em todo País, fato comprovado pelo ressurgimento de doenças como o sarampo, que havia sido erradicada do Brasil. É importante se vacinar? A vacinação continua sendo a mais segura e eficaz forma de prevenir diversas doenças infectocontagiosas. É uma forma de prevenção individual e coletiva, pois protege não apenas quem a recebe, mas também a comunidade como um todo. Adultos e crianças, portanto, devem manter o cartão de vacinação sempre em dia. Afinal, vacinar é uma forma de demonstrar amor a si mesmo e ao próximo. Referências PONTE, Gabriella. Conheça a história das vacinas. Portal Fiocruz, Rio de Janeiro, 5 fev. 2020. Disponível em: Fiocruz SANTOS, Vanessa Sardinha dos. História da vacina. Brasil Escola, São Paulo. Disponível em:Brasil Escola Hélio Vilaça, professor de Química e coordenador de Ciências da Natureza no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.
Sempre fomos nós…

Nunca foi sobre um índio incendiado; éramos nós ardendo em chamas. Nunca foi um massacre de crianças dormindo na porta da Candelária; morremos juntos com cada uma delas. Nunca foi sobre uma distante bomba atômica; nós nos explodimos ao mesmo tempo. Nunca foi incêndio na Amazônia; padecemos juntos a cada milímetro queimado. Nunca foi um acidente nuclear longe daqui; nós nos infectamos e nos deformamos juntos. Nunca foi sobre uma mulher espancada que inspirou uma lei; estamos todos paraplégicos. Nunca foram corpos alheios soterrados pela lama criminosa; nossos poros estarão eternamente impregnados de terra. Nunca foi um massacre num presídio; somos nós eternamente acorrentados nessas celas. Nunca foi desaparecimento e morte na ditadura; seremos gritos à exaustão pela democracia. Nunca foi um terremoto arrasador; éramos nós tremendo de medo e nos apegando a cada possibilidade de sobreviver. Nunca foi trabalho análogo à escravidão; éramos nós experimentando a indignidade. Nunca foi um rio tampado e uma nascente assoreada; somos nós morrendo de sede. Nunca foi uma pandemia distante. Ela se fez cotidiana e arrasadora. Somos nós! Que este texto chegue em forma de um silencioso e indignado abraço a cada vítima da covid-19 e aos familiares e amigos enlutados. Sintam-se irmanados na dor e, controversamente, encham-se de esperança para seguirmos adiante. Sempre somos nós! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Entidades cobram do governo mais empenho no combate à covid-19

Seis entidades que formam o chamado “Pacto pela Vida e pelo Brasil” publicaram uma mensagem ante o contexto de agravamento da covid-19 no País. O texto, intitulado “O povo não pode pagar com a própria vida!”, traz críticas firmes ao desempenho das autoridades, sobretudo as federais, no combate à pandemia. A nota cobra maior cuidado com a população e se solidariza com os profissionais da saúde e as famílias das vítimas. Assinam o comunicado a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a Comissão Arns, a ABC (Academia Brasileira de Ciências), a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). “A ineficiência do Governo Federal, primeiro responsável pela tragédia que vivemos, é notória”, diz o texto. As entidades afirmam apoiar os esforços de governadores e prefeitos para socorrer a população e destacam a importância do SUS (Sistema Único de Saúde). As organizações ainda pedem um olhar atento dos poderes Legislativo e Judiciário. Também sublinham a urgência de um auxílio financeiro digno aos trabalhadores impedidos de obterem o sustento. A nota também conclama os jovens a defenderem a vida e a evitarem ações negacionistas. Veja, a seguir, a íntegra do documento. O POVO NÃO PODE PAGAR COM A PRÓPRIA VIDA! Nós, entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil, sob o peso da dor e com sentido de máxima urgência, voltamos a nos dirigir à sociedade brasileira, diante do agravamento da pandemia e das suas consequências. Nossa primeira palavra é de solidariedade às famílias que perderam seus entes queridos. Não há tempo a perder, negacionismo mata. O vírus circula de norte a sul do Brasil, replicando cepas, afetando diferentes grupos etários, castigando os mais vulneráveis. Doentes morrem agonizando por falta de recursos hospitalares. O Sistema Único de Saúde – SUS continua salvando vidas. No entanto, os profissionais da saúde, após um ano na linha de frente, estão à beira da exaustão. A eles, nosso reconhecimento. É hora de estancar a escalada da morte! A população brasileira necessita de vacina agora. O vírus não será dissipado com obscurantismos, discursos raivosos ou frases ofensivas. Basta de insensatez e irresponsabilidade. Além de vacina já e para todos, o Brasil precisa urgentemente que o Ministério da Saúde cumpra o seu papel, sendo indutor eficaz das políticas de saúde em nível nacional, garantindo acesso rápido aos medicamentos e testes validados pela ciência, a rastreabilidade permanente do vírus e um mínimo de serenidade ao povo. A ineficiência do Governo Federal, primeiro responsável pela tragédia que vivemos, é notória. Governadores e prefeitos não podem assumir o papel de cúmplices no desprezo pela vida. Assim, apoiamos seus esforços para garantir o cumprimento do rol de medidas sanitárias de proteção, paralelamente à imunização rápida e consistente da população. Que governadores e prefeitos ajam com olhos não só voltados para os seus estados e municípios, mas para o país, através de um grande pacto. Somos um só Brasil. Ao Congresso Nacional, instamos que dê máxima prioridade a matérias relacionadas ao enfrentamento da COVID-19, uma vez que preservar vidas é o que há de mais urgente. Nesse sentido, o auxílio emergencial digno, e pelo tempo que for necessário, será imprescindível para salvar vidas e dinamizar a economia. Ao Poder Judiciário, sob a liderança do Supremo Tribunal Federal, pedimos que zele pelos direitos da cidadania e pela harmonia entre os entes federativos. Que a imprensa atue livre e vigorosamente, de forma ética, cumprindo sua missão de transmitir informações confiáveis e com base científica, sobre o que se passa. Enfim, que a voz das instituições soe muito firme na defesa do povo brasileiro! Fazemos ainda um apelo particular à juventude. O vírus está infectando e matando os mais jovens e saudáveis, valendo-se deles como vetores de transmissão. Que a juventude brasileira assuma o seu protagonismo histórico na defesa da vida e do país, desconstruindo o negacionismo que agencia a morte. Sabemos que a travessia é desafiadora, a oportunidade de reconstrução da sociedade brasileira é única e a esperança é a luz que nos guiará rumo a um novo tempo. __________________________________________________________Quarta-feira, 10 de março de 2021. Dom Walmor Oliveira de AzevedoPresidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB Felipe Santa CruzPresidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB José Carlos DiasPresidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns Luiz DavidovichPresidente da Academia Brasileira de Ciências – ABC Paulo Jeronimo de SousaPresidente da Associação Brasileira de Imprensa – ABI Ildeu de Castro MoreiraPresidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC
Pandemia: Vivat Brasil denuncia política de morte

A Vivat Brasil, entidade que reúne diversas congregações religiosas, entre as quais as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) e os missionários do Verbo Divino (SVD), divulgou a nota intitulada “Discriminação racial no Brasil no contexto da emergência covid-19”. O texto, assinado também por diversas outras instituições, denuncia o descaso dos poderes públicos em relação à contenção da covid-19. Segundo a mensagem, grupos minoritários têm sido os mais afetados, sofrendo com as mortes, o abandono por parte das autoridades e a falta de gêneros básicos. O texto recorda que, a cada dez pessoas mortas no mundo, uma é brasileira. As entidades alertam que “há o empenho da União em favor da disseminação do vírus em território nacional” e uma estratégia de propaganda contra a saúde pública. A mensagem também destaca o caos na Região Amazônica, onde chegou mesmo a faltar oxigênio para os enfermos. Com base em estudos, chama a atenção para as disparidades nas mortes, vitimando mais analfabetos, negros e indígenas. Veja, a seguir, íntegra da nota. Discriminação racial no Brasil no contexto da emergência covid-19 Manaus e o Brasil estão se sufocando pela pandemia e pelo descaso do poder público A cada dez pessoas mortas por covid-19 no mundo, uma é do Brasil. Mais uma vez, o grito de socorro se faz mais alto na Amazônia, onde a onda de contaminação está desenhando cenários de indizível degradação e total desrespeito da dignidade humana. A pandemia, alimentada por uma conduta política, econômica e social contraditória, negacionista, indiferente à dor, está amplificando as profundas desigualdades em nosso País. Nossas organizações denunciam que a emergência de hoje deriva de escolhas políticas de ontem. A Lei de Teto de Gastos, por exemplo, dificulta o investimento público e contribui para o aumento das desigualdades, com a privatização de serviços essenciais para o desenvolvimento econômico, como o saneamento básico, educação e saúde. As populações mais afetadas por esta opção política são as pessoas negras e indígenas, fortalecendo assim o racismo estrutural de nossa sociedade. Uma investigação da Faculdade de Saúde Pública da USP e da Conectas Direitos Humanos [1] mostra que a grande proliferação e as mortes por covid-19 não resultam apenas da incompetência ou da falta de condições econômicas e de estrutura pública de saúde. Este estudo indica que, sob o argumento da retomada da atividade econômica a qualquer custo, há o empenho da União em favor da disseminação do vírus em território nacional. A análise detalhada das decisões do governo, em relação à pandemia, revela uma estratégia de propaganda contra a saúde pública, um discurso político que mobiliza argumentos econômicos, ideológicos e morais. Faz-se amplo uso de notícias falsas e informações técnicas sem comprovação científica, com o propósito de desacreditar as autoridades sanitárias, enfraquecer a adesão popular às recomendações de saúde baseadas em evidências científicas e promover o ativismo político contra as medidas de saúde pública necessárias para conter o avanço da covid-19. Outro estudo recente, publicado na revista científica The Lancet Respiratory Medicine, [2] mostra que a proporção geral de mortes hospitalares é maior entre pacientes analfabetos (63%), negros (43%) e indígenas (42%). As disparidades regionais também são marcantes. No Norte e no Nordeste, os índices de mortes hospitalares são de 50% e 48%, enquanto no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul, de 35%, 34% e 31%, respectivamente. A orientação política do governo federal em relação à pandemia foi assumida pelos governos municipal de Manaus e do Estado do Amazonas. Há, portanto, responsabilidades compartilhadas entre as diferentes esferas de poder. Sob o argumento de “salvar a economia”, não ocorreram medidas efetivas para a conter a disseminação da covid-19 na Região Amazônica. O resultado desta firme opção pela economia foram os 945 óbitos por coronavírus em Manaus nos primeiros 20 dias de janeiro de 2021, quase a mesma quantidade do que a somatória de mortes por covid-19 entre agosto (início da segunda onda) e dezembro de 2020. A principal causa de tantas mortes foi a falta de oxigênio nos hospitais e a frágil estrutura hospitalar. O pesquisador Jesem Orellana, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), afirma: “Isto parece ser parte de um projeto que muitos insistem em não enxergar e, neste caso, Manaus é o laboratório a céu aberto, onde todo tipo de negligência e barbaridade é possível, sem punição e qualquer ameaça à hegemonia dos responsáveis pela (não) gestão da epidemia nos mais diferentes níveis”. Nossas organizações denunciam o descaso dos poderes públicos, na esfera federal, estadual e municipal, pelos fatos apresentados e exigem investigações em vista de toda possível responsabilização. Apoiam os mais de 60 pedidos de impeachment do Presidente da República, em particular pelos crimes de responsabilidades com respeito às políticas de saúde pública em tempo de pandemia. Também solicitam a atuação e denúncia da actores internacionais na Região Amazônica, ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos (CNUDH) e outros mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas, considerando que não há transparência nas informações e menos ainda confiança nas decisões tomadas pelas representações políticas em relação à contenção da covid-19. 28 de janeiro de 2021 Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (Conic) Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Franciscans International Fundação Luterana de Diaconia Rede Eclesial Panamazônica (Repam-Brasil) Rede Igrejas e Mineração Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sinfrajupe) Articulação Comboniana de Direitos Humanos Vivat International Missionários da Sociedade Verbo Divino Missionárias Servas do Espírito Santo Congregação do Espírito Santo Irmãs Missionárias do Espírito Santo – Espiritanas Congregação das Irmãs da Santa Cruz Missionários Combonianos do Coração de Jesus Irmãs Missionárias Combonianas Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu – Scalabrinianas Missionários Oblatos de Maria Imaculada Congregação das Irmãzinhas da Assunção Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (grifos conforme o texto original) Notas: [1] Disponível em: https://www.conectas.org/wp/wp-content/uploads/2021/01/Boletim_Direitos-na-Pandemia_ed_10.pdf. Acesso em: 21 jan. 2021. [2] O estudo analisou, entre fevereiro e agosto de 2020, 254.288 mil pacientes no Brasil, com idade média de 60 anos, internados
Retorno das escolas da Rede

Vivemos ainda em meio à maior pandemia de nossos tempos, e a pergunta frequente é: quando tudo voltará ao normal? Voltará? A peste, romance de Albert Camus, vai nos lembrar de que ela pode vir ou ir embora sem que o coração do homem seja modificado. Se isso prevalecer, sugerimos que não voltemos à normalidade nos moldes a que estávamos acostumados, porque, se assim retornarmos, é sinal de que não valeu de nada toda a tristeza vivida no mundo inteiro. Em 2020, vivemos a possibilidade de repensar muitas coisas. Que a vida é muito frágil. Que a simplicidade é um caminho possível. Que precisamos uns dos outros. A necessidade do essencial para se viver. Que a espiritualidade é a grande força interior que sustenta nossa caminhada. Que somos parte desta grande casa comum chamada planeta Terra. E veio deste enorme organismo vivo onde habitamos o convite, a voz que nos convocou a fazer silêncio, pois só assim poderíamos ouvir e transformar nosso coração. Nossos educadores, alunos e familiares vão, aos poucos, iniciando o retorno às nossas escolas. A maioria, introspectiva e com diferentes sentimentos. Alegria pelo retorno e pelo reencontro, medo pela realidade de um vírus desconhecido, ansiedade pela espera da vacina. Os protocolos conhecidos, álcool, máscara, o cuidado com as mãos… revelam a consciência do amor ao próximo e o precioso cuidado com nosso maior dom, a vida; eles estão presentes em nossas escolas desde o primeiro dia. É um recomeço cheio de novos desafios, novas adaptações que exigem de cada um a vivência de uma ética da reciprocidade. Fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem a nós. Com essa consciência, retornaremos diferentes; entendendo “diferentes” como entregar o melhor de nós ao outro. Agostinho Travençolo JúniorEducador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS
A experiência de quem contraiu a covid-19

A pandemia causada pelo novo coronavírus, causador da covid-19, entrará para os livros de História. O evento mexeu com quase tudo na vida, não apenas na saúde pública: das relações comerciais e diplomáticas aos contextos escolar, religioso; da experiência do luto ao cotidiano de pessoas, famílias. Neste espaço, você conhecerá o testemunho de quem viveu a experiência de ser infectado. Se você também passou pelo mesmo problema, fique à vontade para partilhar quais foram os aprendizados e o que você tem a agradecer. Veja alguns depoimentos: “Qual nossa essência moral, espiritual e social?” A pergunta que não quer calar: covid-19, quem é você? China, o que é isso? A covid era 19 e nos roubou 2020 inteiro! Pelo jeito, vai invadir também nosso 2021. Aqueles que fazem aniversário se esforçam para encontrar motivos para comemorar, soprar as velinhas de um ano, mas, infelizmente, não há muito o que brindar, mas muito a chorar! E por quanto tempo mais vamos chorar? Amigos se foram. Parentes não estão mais com a gente. A incerteza, o medo nos rodeiam. A saudade e o distanciamento apertam o coração e angustiam a alma. Não basta apenas sermos fortes, é muito além disso e, talvez por isso, as pessoas ainda não conseguiram entender que a essência e o valor de tudo se relativizou. Sapatos da Arezzo? Perfume Givenchy? Produtos de maquiagem? Quem disse Berenice? Boticário? Mara Mac? Roupa da Farm, Renner, Cantão, Riachuelo, Animale? Qual a real importância de tudo isso? Não quero dizer que não gosto disso, mas sim que, num período como este, temos de refletir e discernir do que somos constituídos. Qual nossa essência moral, espiritual e social? Pois é com base nessa consciência que nos reergueremos para esse novo normal que está por vir. E aí, quem sabe, começar a viver mais humanamente, verdadeiramente felizes! Susete Maria da Silva Vieira ParreiraGestora educacional do Colégio imaculado coração de MariaRio de Janeiro _____ “Vivenciar essa experiência me fortaleceu” Quando você recebe o resultado “detectado” no teste de covid-19, um buraco se abre, pois tudo é incerto diante do novo vírus. Eu me senti numa montanha-russa de sintomas e sentimentos: um dia, na reta, em plena recuperação; no outro, de cabeça para baixo, num looping, sem energia sequer para me levantar, para me alimentar. Manter-se com bons pensamentos, em oração, fortaleceu-me para superar esse momento tão difícil, pois não sabemos o rumo do vírus em nosso corpo. Passamos dias isolados de quem mais amamos. Uma loucura! Vivenciar essa experiência me fortaleceu. As mensagens diárias de carinho me encheram de esperança de que tudo ia passar e que eu ficaria bem. Que possamos valorizar o que de fato é importante em nossas vidas: um abraço, a família e o amor. Magda Cristina Bastos do NascimentoCoordenadora pedagógica do ensino fundamental IRio de Janeiro-RJ ______ “Somos seres vulneráveis” Estar mergulhado numa pandemia já é uma experiência inusitada e, quando nos encontramos sentindo, efetivamente, o efeito em nosso organismo, a proporção se torna maior, pois qualquer certeza que pudéssemos vislumbrar, ela não existe. Não existe por não sabermos que rumos seus efeitos fisiológicos tomarão. Somos seres vulneráveis, e a grande lição desta pandemia é nos dar a oportunidade de entender que a espiritualidade é a mola propulsora que nos faz agir. Rever nossa relação com Deus e nos aproximar a Ele, que pode ser pelo amor ou pela dor e, infelizmente, a humanidade necessitou que fosse pela dor. Valorizar o simples, amar e expressar esse amor, estar disponível ao próximo e vivenciar a beleza da gratidão. Sandra Demetrio PereiraGestora administrativa do Colégio imaculado coração de MariaRio de Janeiro ______ “Fortaleceu o lamento pelas diferenças sociais no tratamento da doença” “O que não me mata me fortalece”, disse Nietzsche e assim ilustro o que ficou após eu passar pela dor e pela insegurança, ao ser infectada pelo vírus da covid-19. Fortaleceu a importância do autocuidado. Fortaleceu o vínculo com as pessoas que se preocuparam comigo. Fortaleceu o lamento pelas diferenças sociais no tratamento da doença. Fortaleceu a convicção de minha missão de ajudar o meu próximo. Fortaleceu, sobretudo, a fé em Deus, que, mesmo na condição de fragilidade humana, perante os mistérios da finitude da vida, sempre, sempre é maior que tudo! Alice Takahashi PiresPedagógica do ensino fundamental 1 do Colégio Espírito SantoSão Paulo-SP